COMO FLOR DE NOVE HORAS
Outubro 4, 2007 de Lívia Abreu
Ela abriu as janelas deixando que o sol arejasse a sala escura e fétida. Quantos anos desde a última vez que estivera ali? Ela nem conseguia mais se lembrar.
Percorreu os cômodos tranportando-se no passado. Ouviu os risos da sua infância, tanta coisa havia acontecido nesses longos anos. Aquela casa e aquele passado pareciam ter acontecido em outra vida.
Lembrou-se de um pequeno jardim nos fundos da casa. Agora, talvez, nada restasse daquele que perfumou sua meninice.
Como imaginou, pouca coisa havia do antigo jardim, apenas um pontinho amarelo apontava em meio a folhagem seca. Uma bela, simples e única flor de nove horas. Aquela que, quando o tique taque do relógio tilinta nove badaladas, desabrocha toda a sua beleza e encanto.
Tanto tinha ela em comum com aquela flor. Abrindo pro mundo, mesmo quando tudo ao redor é descaso, abandono…
Sim, ela era como aquela flor.
COMO FLOR DE NOVE HORAS…
